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Um pouco sobre o Tenentismo

Não sou historiador e não garanto a fiabilidade daquilo que abaixo escrevi. Trata-se apenas de um resumo baseado em análise de diversas fontes. No entanto, sou grato se avisado de algum erro.

Tenentismo foi um movimento militar, como o nome dado propunha. Um movimento com base nas classes menos elevadas de militares, que, assim, como o povo da época, tinham ressalvas quanto a então situação política do nosso país.

Basicamente, eles queriam o fim de alguns comportamentos praticamente imorais numa República supostamente democrática: o fim do voto de cabresto, instituição do voto secreto, o fim das repúblicas oligárquica da Política do Café com Leite, além de reforma da educação pública, com exigência de ensino primário obrigatório.

Embora sem sucesso imediato em qualquer dessas reinvindicações, o movimento efetivamente causou um preparo para a Revolução de 1930 (onde Getúlio Vargas toma o poder).

Vamos aos principais atos causados pelo movimento.

Revolta dos 18 do Forte de Copacabana:

Esta revolta, o primeiro grande ato do movimento, ocorreu após uma sucessão de fatores, como as supostas cartas do candidato à Presidência Artur Bernardes, desfavoráveis ao então ex-presidente militar Hermes da Fonseca; a posterior prisão de Hermes da Fonseca, junto com o fechamento do Clube Militar (o que ocorreu devido à “desobediência” deste quando indicado a reprimir o povo em Pernambuco) e o descontentamento dos militares com o então Ministro da Guerra, um civil.

Na então capital do país, Rio de Janeiro, em 4 de julho de 1922, com liderança de Euclides Hermes da Fonseca (filho de Hermes da Fonseca), os tenentes prepararam a revolta.

Em 5 de julho de 1922, os tenentes levantaram-se no Forte de Copacabana, que disparou seus canhões contra várias construções do Exército, com intuito de forçar comando militar a abandonar o Ministério da Guerra. No entanto, sofreram severa repressão do próprio Exército. Tiveram a chance de desistir do conflito, e muitos realmente desistiram.

Os que se mantinham participando da revolta (dezessete), no início da tarde do dia 6 de julho, ante a impossibilidade de prosseguir, abandonaram o forte e marcharam pela Avenida Atlântica de encontro ao Palácio do Catete. No caminho, o civil Otávio Correia, amigo de Siqueira Campos (um dos líderes da revolta) juntou-se o grupo.

Dos dezoito, dez chegaram ao confronto final, onde encontraram três mil do Exército. Após tiroteio de cerca de trinta minutos, Siqueira Campos, Eduardo Gomes e dois soldados foram capturados ainda vivos, dos quais apenas Siqueira Campos e Eduardo Gomes realmente sobreviveram ao confronto.

Revolta Paulista de 1924

Esta foi a segunda revolta dos tenentes, e o maior conflito bélico já visto em São Paulo.

Ocorrida novamente em 5 de julho, comandada pelo general reformado Isidoro Dias Lopes, a revolta teve a participação de numerosos tenentes.

A revolta ocupou a cidade por vinte e três dias, forçando o presidente do estado, Carlos de Campos, a fugir para o interior de São Paulo, depois de ter sido bombardeado o Palácio dos Campos Elíseos, sede do governo paulista na época. Várias prefeituras também foram tomadas no interior do estado.

A revolta contatou Coronel Fernando Prestes de Albuquerque, pedindo que este assumisse o governo de São Paulo, pedido este recusado pelo coronel (que já organizava uma tropa contrária à revolta).

A Cidade de São Paulo foi bombardeada por aviões do Governo Federal, em vários pontos da cidade, em especial bairros operários como a Mooca e o Brás, e de classe média, como Perdizes.

Sem capacidade de enfrentar o Exército, os revoltosos foram para Bauru, depois para Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, onde o Exército se concentrava, com o objetivo de atacá-los.

No entanto, não obtiveram sucesso; os revoltosos perderam aproximadamente um terço dos seus homens.

Os sobreviventes foram ao Paraná em encontro dos oficiais gaúchos liderados por Luiz Carlos Prestes, criando a Coluna Prestes.

Em agosto de 1924, os revoltosos perderam o poder de São Paulo, com o retorno de Carlos de Campos ao poder.

Comuna de Manaus

Quase paralela á Revolta Paulista, ocorreu a Comuna de Manaus, liderada (também) por tenentes.

Ocorreu por insatisfação com a oligarquia no Amazonas e mesmo no Brasil como um todo, já que o Amazonas empobrecia e marginalizava-se cada vez mais com tal regime.

No dia 23 de julho de 1924, os revoltosos, comandados por José Carlos Debois, fazem um levante, onde efetivamente tomam o poder de Manaus, atacando o Palácio Rio Negro. Manaus, neste período, fica isolado do país, já que telefone e telégrafo foram também tomados.

Com Manaus tomada, era hora de avançar a revolta em direção à cidade de Óbidos, onde conseguem apoio do forte local em 26 de agosto. A essa altura, o povo considerava os revoltosos como heróis, defendendo e auxiliando a revolta.

No entanto, em 28 de agosto, as tropas repressoras do Exército chegam a Manaus, onde Ribeiro Junior, líder do movimento, é preso, sem resistência, visando evitar mortes.

Esta fora a única revolta tenentista onde os militares efetivamente tomaram o poder, por mais de um mês.

Coluna Prestes

Criada por vários tenentes e capitães em 1925, incluindo aqueles da Revolta de 1924, a Coluna Prestes, liderada por Luiz Carlos Prestes e Miguel Costa, defendia reformas políticas e sociais e tinha o intuito de derrubar os então presidentes Artur Bernardes e, posteriormente, Washington Luís do poder, denunciando a miséria da população e a exploração das camadas mais pobres por esses líderes políticos.

A Coluna enfrentou as tropas regulares do Exército, além de tropas de jagunços (capangas que protegiam os líderes políticos), embora poucas vezes, pois eram utilizadas táticas de “despistamento” para confundir as tropas do exército.

Percorreram 25 mil quilômetros em dois anos e meio, tendo-se desfeita em 1927, na Bolívia, por falta de adesão do povo às ideias propostas pela Coluna (em geral, as mesmas do tenentismo como um todo, mas com um toque maior do comunismo).

Afinal, o povo, mesmo concordando com as idéias da Coluna, tinham medo da possível repressão do Exército.

Concluindo…

Em geral, os movimentos tenentistas foram movimentos heroicos, onde as classes mais baixas do Exército realmente se puseram em seu lugar, de defender as classes baixas do povo. No entanto, todos os movimentos sofreram repressão do próprio Exército, especialmente por parte das classes mais altas deste (que, naturalmente, não se interessavam por uma Revolução favorável aos proletários).

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