Após décadas de espera em rascunho, não me sobrou tempo nem inspiração para concluir meu review do Nokia C6-00, iniciado na Análise do S60 5ed, mas antes complementado pela história deste post. Mas isso não significa que tal review será abandonado, apenas subdividido em mais postagens que o esperado incialmente. Hoje, falamos dos aspectos externos e, superficialmente, do hardware interno, sistema operacional e desempenho do aparelho, com, em posts seguintes, detalhes sobre as ferramentas de mídia, mapas e Internet, além de, ao final da série, um post (ou página) dedicado à introdução, ao índice e à conclusão do review. Não ocorreu revisão detalhada do texto, correções são bem-vindas. Vamos lá:
Aspectos externos
O aparelho é pesado (150g), pouquíssimas pessoas discordam. No entanto, esse detalhe passa uma impressão de dispositivo sólido, mesmo tendo acabamento em plástico. Apesar do teclado físico (detalhes deste mais à frente), o design do aparelho lembra mais o Nokia 5800 que o N97, ao menos para mim. Bonito, sem nenhuma extravagância, especialmente o de cor preta. Tudo bem que beleza é relativa, tanto que GSMArena, por exemplo, jura que atrocidades como o Sony Ericsson W880 são mais bonitas que meu telefone anterior, Nokia 3120 classic (review deles aqui, meu aqui).
C6-00 mede 11,3cm de altura, 5,3cm de largura e 1,68cm de profundidade, tendo volume de 80 cm³, fechado. Não tão grande quanto os números possam demonstrar, é apenas um bocado espesso para os padrões atuais, embora ainda entre com facilidade no bolso da calça. Aberto, ele passa a medir 8,3cm de largura (que passa a ser a altura, já que, nessa situação o aparelho funciona em modo paisagem).
Com o telefone fechado, temos, à direita, as teclas de volume (não necessariamente as mais confortáveis para operar ao usar apenas uma mão, mas fazem o seu trabalho – controlar volume e zoom digital na hora das fotos e vídeos), a alavanca de bloqueio do touchscreen (bastante eficiente, torna o bloqueio e desbloqueio da tela uma operação natural, dado que sua posição é exatamente aquela onde pousa o dedo polegar ao tirar ou pôr o aparelho no bolso) e a tecla do obturador, na mesma posição onde se espera encontrá-la em uma câmera digital. Esta só fica devendo no clique completo (de segundo nível), que é um pouco duro, e faz o slide ser empurrado pelo polegar (embora não efetivamente aberto, naturalmente) ao ser usada com o dedo indicador. Como solução para isso, basta fotografar com o dedo médio.
Na esquerda, apenas o slot microSDHC Hot-swap, suportando cartões de até, pelo menos, 16GB. Um cartão de míseros 2GB veio incluso no meu pacote (na verdade, veio já inserido no aparelho). No topo temos saída para fone de ouvido 3,5mm (um fone vagabundo WH-102 vem com o aparelho, mas o conector padrão permite usar qualquer fone decente), e conector USB, protegido (vem um minúsculo cabo CA-101D com o aparelho). Abaixo, apenas o conector de carregador Nokia 2mm, com um LED de carga o rodeando. O aparelho não carrega via USB e um excelente carregador AC-15, extremamente compacto e de alto desempenho (800mA@5V, contra 350mA@5V do AC-3 – o carregador grande, vendido com os aparelhos mais simples) vem na caixa. Até um velcro para enrolar o fio o carregador tem!
Atrás, temos a lente da câmera (sobre a qual falo em detalhes mais adiante) – não protegida, mas posicionada um milímetro para dentro, não entrando em contato com superfícies planas –, o flash LED e o alto-falante mono, do qual não se deve esperar muito, pois apenas cumpre o seu papel, sem ser exageradamente alto ou claro. É bom o suficiente para garantir que chamadas não serão perdidas, ou mesmo assistir um filme em ambiente silencioso, por exemplo (de qualquer forma, quem assiste um filme, num celular, sem usar fones de ouvido?), mas nada muito além disso.
Ainda atrás, a tampa da bateria é extremamente fácil de remover, mas isso não a torna fácil de cair. Basta puxar uma alavanca, levantar a tampa e puxá-la para fora, um processo simples, mas que não pode ser feito por acidente. Abrindo a tampa, vemos a bateria BL-4J, de generosos 1200mAh (que, mas minhas mãos, duram um dia inteiro fora de casa, com pouco uso não deve ser difícil um período de quatro, cinco dias entre recargas), e o slot do cartão SIM, que, embora não fique embaixo da bateria, é bloqueado por ela de forma a não ser possível sua remoção sem antes tirar a própria bateria. Externamente não se vê nenhum parafuso, mas embaixo da tampa da bateria temos oito deles, que me parecem Torx T5 ou T6.
Abrindo o slide as coisas começam a ficar realmente interessantes: O mecanismo do slide é sólido o suficiente para que ele só seja aberto quando o usuário está realmente interessado em abri-lo, jamais por acidente. É necessário empurrá-lo até a metade para que ele se abra, o mesmo vale para que se feche.
Aberto, vemos acabamento em aço inox na parte de trás da tela, e, o mais importante, o excelente teclado QWERTY:
Teclado, painel frontal e tela
O teclado tem quatro fileiras, 39 teclas muito confortáveis para uso com os dois polegares. O teclado é regional, com cedilha ao lado do M e teclas dedicadas para acentos ´ e ^, as quais compartilham a mesma tecla (através de Shift) com ` e ~, respectivamente. Há duas teclas Shift (uma de cada lado do teclado), uma tecla Fn (que é usada para ativar a função secundária das teclas, de uso raro, já que, geralmente, basta segurar a tecla em questão para fazer o mesmo), uma tecla Car (originalmente Sym, que exibe todos os caracteres especiais) e uma tecla Ctrl, cujo uso é similar ao de um PC, sendo possível usar os atalhos de copiar, colar, selecionar (Ctrl+C/Ctrl+X, Ctrl+V, Ctrl+A), entre outros, em quase todos os aplicativos que lidam com texto. A barra de espaço é efetivamente uma barra, ocupando o equivalente a pouco mais de duas teclas comuns.
Mesmo sendo eu usuário experiente de T9 há cinco anos, em uma semana já conseguia escrever mais rápido no teclado QWERTY do C6-00 que costumava usando T9 no 3120 classic.
Temos ainda, ao lado do teclado, o D-Pad de cinco direções, confortável, mas de pouco uso na interface do aparelho.
Fechando novamente o slide, temos as teclas Send, End e Home (Menu), na parte frontal, abaixo da tela. Send pode também ser usada para ativar o reconhecimento de voz (que parece o mesmo dos S40 – embora não necessite de treino –, bom, mas ainda longe do ideal), e End faz às vezes de Power, servindo para ligar ou desligar o aparelho e alternar perfis. E também o sensor de proximidade, fone, câmera 352×288 para videochamadas e sensor de luz ambiente.
Demos agora atenção à tela: LCD transmissivo AFFS, 24 bits de cor por pixel, resolução nHD (640×360, proporção de aspecto 16:9, a mesma das TVs HD) e 3,2”, com subpixels organizados horizontalmente (ao usar o aparelho com o slide fechado). Belos números, que realmente representam uma bela tela, em ambientes internos:
Reprodução de cores excelente, sem dithering algum aparente, ângulo de visão também excelente (não há perda ou distorção de cor em praticamente nenhum ângulo – salvo os mais extremos, onde a polarização da película resistiva altera ligeiramente as cores em alguns lugares da tela) e tempo de resposta muito baixo (O primeiro LCD onde não noto absolutamente nenhum atraso ou borrão, em condições normais de uso. Definitivamente superior a qualquer monitor LCD barato para desktop que já vi. E foram tantos que preferi me manter usando CRT). O contraste também é muito bom para um LCD. E a densidade de pixels, 230PPI, tem um valor que, embora não seja alto o suficiente para tornar os pixels imperceptíveis (o que geralmente ocorre a partir de 300PPI), é bastante alto para que imagens sejam detalhadas e fontes sejam precisas (auxiliadas por anti-aliasing, é verdade).
Mas a tela tinha que pecar em algum ponto. Repito o tipo de tela: LCD transmissivo. Esse é o tipo que não filtra a luz ambiente, o que faz com que, sob luz direta do sol, a tela não tenha brilho suficiente para se fazer clara (O sensor de luz ambiente eleva a potência da iluminação interna da tela ao máximo nessas condições, mas, muitas vezes, isso não é suficiente). Telas transflexivas, como a do Nokia 3120 classic, não sofrem desse problema, refletindo a luz do sol após esta passar pelo LCD, fazendo com que independente da quantidade de luz incidente, a tela seja legível, sofrendo apenas redução de saturação.
Em resumo, a tela é impecável, mas apenas enquanto não houver sol sobre ela.
Cobrindo a tela, temos a película resistiva que faz do C6-00 um aparelho touchscreen afinal. Telas resistivas costumavam me trazer pavor só com o nome, porque, pelos idos de 2006, estas não eram efetivamente telas sensíveis a toques, mas sim sensíveis à pressão – muita pressão. Felizmente, esta realidade mudou, e o touchscreen do C6-00 é bastante sensível a toques – mesmo –, especialmente ao se utilizar de unhas para sua operação. Ao contrário das telas capacitivas, que só funcionam com os dedos (mas não com as unhas), telas resistivas funcionam com qualquer coisa que seja capaz de tocar precisamente um local da tela. As vantagens das resistivas, logo, são facilitar o uso de canetas stylus e serem mais precisas. Por outro lado, elas são menos sensíveis e não suportam toques simultâneos em dois ou mais pontos da tela, recurso exclusivo das capacitivas.
Importante ressaltar que marcas de dedos são bem aparentes na parte frontal do aparelho, especialmente ao redor das teclas Send, Home e End (a parte de trás do aparelho, felizmente, é fosca e não sofre do problema), e um pano para limpeza sempre acessível é bem-vindo.
Ainda no campo hardware, vamos ao próximo ponto:
Conectividade
C6-00 apresenta todos os recursos básicos de conectividade: 3G, WiFi, Bluetooth e USB. Sobre WiFi, Bluetooth e USB, não há muito a declarar: WiFi 802.11b/g (Até 54Mbps) suportando encriptação WEP, WPA ou WPA2; Bluetooth 2.0 EDR com suporte aos principais perfis, incluindo, naturalmente, A2DP (para fones de ouvido estéreo); e USB 2.0 High Speed (480Mbit/s, permite transferências de dados para o cartão de memória em velocidade máxima) suportando modo de armazenamento (Mass storage, que não necessita de drivers para nenhum sistema operacional relevante moderno).
Sobre 3G, a discussão muda. Temos HSDPA até 3,6Mbps, sem HSUPA (limitando os uploads aos 384kbps do UMTS GPRS); ou EDGE Classe 32 (até 296kbps, embora as operadoras nacionais suportem apenas 236,8kbps) nos casos onde não há cobertura ou cartão SIM 3G. Ótimo, não fosse por um detalhe:
Como de costume nos aparelhos dual ou triband, existem dois hardwares para o C6-00. Um é o RM-612, com suporte a 3G em 900MHz, 1900MHz e 2100MHz. O outro, RM-624, suportando 850MHz, 1900MHz e 2100MHz. As frequências 3G usadas no Brasil são 850MHz e 2100MHz, que, evidentemente, não são completamente suportadas por RM-612. Como resultado, usuários de 3G devem exigir RM-624 ao adquirir um C6-00, caso contrário, Claro e TIM ficarão fora da lista de operadoras 3G em várias cidades (onde operam em 850MHz. VIVO e Oi/BrT operam em 2100MHz em todo o território nacional).
Deixando o hardware um pouco de lado, vamos ao sistema, apenas superficialmente, porque detalhes vão no post dedicado ao S60.
Symbian S60 5ed
C6-00 é o tipo de aparelho que se costuma chamar de smartphone. E é o tipo de aparelho que eu realmente concordo em chamar de smartphone, por passar em três requisitos: Multitarefa, Aplicativos nativos instaláveis e recursos básicos (nos aparelhos modernos, algo como capacidade de uso do aparelho como modem, mass storage ou mesmo copiar-e-colar) pré-instalados. As primeiras edições do Apple iPhone, por exemplo, definitivamente não merecem a alcunha de smartphone (por mais que todos o chamem assim). O Windows Phone, até hoje, também não passa nos requisitos (é um dos mais limitados, em alguns pontos mais que muitos S40 na verdade, enquanto tanto se o elogia por ser um sistema “avançado”). Mesmo o liberal Android tem passado com dificuldades, especialmente nas primeiras versões (qualquer coisa anterior à 2.0).
E o Symbian (sistema operacional empregado no C6-00, sob a interface S60 5ed) já passa em todos há bons dez anos (conforme Nokia 7650, Symbian S60 1ed). Dez, contanto que não se leve em conta o EPOC32, seu antecessor, usado nos handhelds Psion, há praticamente quinze (Psion Series 5). Mesmo assim, grita-se aos quatro cantos que Symbian é uma plataforma limitada. Ainda veremos por quê.
Para um usuário veterano de S40 (interface usada nos Nokia 2630, 3120c, 2730c, 5130XM, X2-00, dentre outros, citando os que conheço melhor), o S60, seja terceira (como Nokia 6700 Slide, E5, 6120c, etc.) ou quinta (o próprio C6-00, N97, 5800XM, 5230XM, etc.) edição, traz diversas novidades.
Multitarefa é, talvez, a principal delas. No C6-00 (e nos outros S60 5ed), a tecla Home (ou Menu, chame como queira) permite voltar à tela inicial a qualquer momento, mantendo o aplicativo até então aberto efetivamente sendo executado em segundo plano. Segurando a tecla Home, vemos a lista de aplicativos atualmente em execução, que podem voltar ao primeiro plano com um toque.
Alguns exemplos práticos do uso de multitarefa: Deixar um cliente de mensagens instantâneas, como o eBuddy, aberto (e pronto para chamar a atenção para uma mensagem chegando) enquanto se alterna entre navegar na Internet com o Opera Mini e verificar sua localização no Google Maps. Ou mesmo tirar fotos enquanto o Music Player toca em segundo plano (verdade seja dita, essa última é uma situação que qualquer celular deveria suportar, mas os S40 insistem em pausar o Music Player ao iniciar a câmera).
Uma pena que, no caso do C6-00, os excelentes recursos de multitarefa do S60 sejam parcialmente limitados pela quantidade de memória RAM do aparelho. São 128MB, dos quais, normalmente, cerca de 45MB ficam livres para os aplicativos após a inicialização completa do telefone (o restante é ocupado pelo próprio sistema e suas ferramentas). Para aplicativos relativamente pesados, como o Opera Mobile 11, esses 45MB são, normalmente, pouco. E, quando a RAM é escassa, o sistema, em nome de sua própria estabilidade e integridade, fecha (na verdade “mata”) aplicativos sem qualquer aviso, a menos que se trate de aplicativo de sistema, caso em que uma mensagem de memória insuficiente pede gentilmente que alguns aplicativos sejam fechados.
Em condições normais, no entanto, são poucas as situações em que o sistema reclama, desde que se utilizem aplicativos leves, como Opera Mini e eBuddy, por exemplo, e não se esqueçam abertos aplicativos não mais em uso.
Outra inconveniência do S60 no C6-00 é o tempo de boot: Quase um minuto após o comando de ligar, o aparelho termina de negociar com a rede (em meu caso, GSM – lembrando que não tenho cartão SIM 3G), e apenas após mais um minuto é que a inicialização do aparelho está completa, respondendo aos comandos do usuário com desempenho total a partir daí. Considerando que os S40 estão prontos para uso em cerca de quinze segundos, e os S30 em ainda menos (no caso dos S30, a limitação é a demora na negociação e login GSM, já que o boot do sistema é muito rápido, mas não existe S30 3G – onde o login seria instantâneo).
Na próxima postagem da série, (espero), falo sobre as ferramentas de mídia, áudio, vídeo e fotografia, disponíveis no aparelho. Como de praxe, comentários são bem-vindos.
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